20 de Outubro de 1976.
Ele estava ali, parado em minha frente, mais uma vez. Talvez até a última. Não me importava se hoje eu estaria aqui contando o que aconteceu, eu só queria poder ter aquela paz, pra sempre. Uma paz que somente ele me concedia. Estranho dizer isso, mas eu o amava, com todas as minhas forças, até com as que não existiam. Seu hálito doce me deixava tonta e seu perfume bem concentrado no pescoço me fazia ter orgasmos até mesmo sem ele me tocar. Pra falar a verdade, tudo nele me deixava extremamente, er, exitada. Seu corpo perfeito, com certeza pra quem não o visse, acharia que é mentira o que digo. Moreno, alto, braços que tinham no mínimo 30 centímetros e que se contraiam de uma forma tão hipinotizante, ao me segurar .. sua cintura não era tão fina, mas formava um belo conjunto, junto aos seus ombros largos. Mas tudo bem, chega de falar da perfeição do meu homem, e voltemos a falar sobre meu estado de espírito naquele momento.
Meu cérebro forçava minha cabeça a olhá-lo atentamente, sem desvios de olhar e mesmo que eu quisesse abaixar os olhos, eles me prendiam. Quem diria que eu, estaria ali, com ele ? Minutos depois de um leve abraço forte, ele se afasta, me deixando só, sem rumo. Volta a meu encontro e hesita:
- Preciso lhe dizer algo que deveria ter dito a muito tempo.
- Diga-me, por favor. - Soltei sem ao menos arrumar as palavras.
- Vou lhe beijar e esse beijo ficará como prova do meu amor.
Confusa, respirei fundo e juntei meus lábios aos dele, beijei-o sem medo. Meu mundo parou. Eu só sentia cada movimentos de nossos corpos unidos. Isso bastava.
Ele parou o beijo, sem fôlego e disse:
- Eu te amo, e se você me ama, prometa que vai ficar bem, apesar de tudo que tem por vir ?
Meus olhos abordaram lágrimas quentes e que escorriam lentamente pela minha bochecha. - Prometo, mas por que diz isso ? - Procuro os olhos dele.
Me olhando profundamente, apenas forma um sorriso rígido, agradece e vai embora, sem mais explicações.
Chegando em casa, me abrigo em minha cama, pensando no que tinha acontecido a uma horas atrás, mais ou menos. Jackson, assumindo que me ama. Momento mais feliz da minha vida. Seu beijo quente. Melhor sensação do mundo. Me perdi em meus pensamentos e lembranças e adormeci. Acordei com o telefone tocando as 7:43 em ponto da manhã. Era Joe, melhor amigo de Jack .. e eu não entendi aquela situação. Ele pediu para que eu fosse até o apartamento deles para que me contasse o que tinha acontecido. Me desesperei, ao lembrar das palavras no dia anterior de Jack, sobre o que poderia acontecer. Botei uma roupa qualquer, peguei minha chave do carro e fui.
Chegando lá, encontro a porta meio aberta, entro sem tocar campainha e vejo Jack, deitado nos braços de Joe. Me assusto com a imagem, seu rosto parecia pálido demais e sua expressão era de dor. Cheguei mais perto e passei a mão no rosto dele, deixando uma lágrima cair no canto de sua boca. Perguntei o que tinha acontecido, mas Joe não soube explicar exatamente e nem o próprio Jack. As palavras não saiam de sua boca, ele tentava tentava e tantava, mas já estava mudo demais. Sua morte estava ali, eu podia até ver os anjos o carregando, levando-o para um lugar melhor, foi quando ele apontou o bilhete em cima da mesa. Me virei para ver o que ele mostrava e li para mim mesma:
"Dizem que a morte é o fim de tudo, mas nada poderia por fim ao meu amor por você, minha Alison". Chorando demais com aquilo, o abracei e por menos de 3 minutos, ele estava lá, sem batimentos cardíacos. Foi um choque, era emoção demais para ele e até para mim. Não me dei conta que ele sofria de AIDS. Não por ele ser homosexual ou algo do tipo, pegou isso em uma transfusão de sangue. Afastei-me do corpo, com uma enorme vontade de morrer. Joe me pôs pra longe do amigo e me disse:
- Pode ter certeza que ele morreu feliz.
Eu não sabia se chorava mais e saia correndo ou se ficava lá com ele, pra sempre, até eu morrer e poder ser ao lado dele. Tudo parecia não fazer sentido. Eu só queria tê-lo comigo, pra sempre, mas vivo. Não era mais possível, seu espírito que ficaria ao meu lado agora, e eu teria de superar, como o prometido, então levantei e sai do apartamento. Peguei meu carro e fui para a estrada, viajando sem rumo. Passei por uns 3 penhascos. Observei-os bem e decido parar no último. Sentei na beira, balançando as pernas como uma criança triste. Chorei o tempo todo. Lágrimas de amor. Pensei que podia cumprir o que ele tinha me pedido, mas era demais pra mim. Ele se foi e levou tudo que me dava esse
motivo de superar. Eu não sabia que seria assim. Peguei o celular e mandei a minha
última mensagem a qualquer um ser vivo, em específico ao Joe, pedindo que ele falasse à Jack, exatamente o que estava escrito:
"Nos veremos em breve, para sempre .. Alison"