segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

The tenth star

Uma senhora me perguntou se eu já parei para pensar quantas estrelas haviam no céu. Fiquei surpresa com essa pergunta, afinal, ninguém nunca ousou jorrar essas palavras em minha direção. Fiquei decepcionada também ao perceber que ela sabia que eu ficaria ali parada, intacta, sem responder, afinal, eu não tinha o que responder. É claro que isso é impossível. Fui para casa frustrada, entrei, subi diretamente pro meu quarto, troquei de roupa, peguei meu travesseiro, sentei na beira da cama, olhando para o céu e comecei.. um, dois, três.. um, dois, três.. são 6 já.. sete, oito, nove... quando eu ia falar o dez.. meu telefone toca..
-Alô ?
-Olá Alison, como você tá?
-To bem Jack e você ? _Soltei uma risadinha_
-To bem poxa. Mas então, diga-me o que estava fazendo...
-Bom, eu estava contando as estrelas no céu e pa.. Mas, acho que vou parar, sei que é totalmente impossível, ver cada uma delas.
_Jack havia soltado uma respiração tão funda, que me deixou cabisbaixa_
-O que houve ?
-É que eu queria saber em qual número você parou.
-Parei na nona.. sim, sou fraca.
_Risos_
-Ok Ali, tenho que desligar.. você vai dormir agora?
-Não, por que?
-Por nada, boa noite. Até.
-Boa noite Jack, até.
Deitei na cama, abracei bem meu bichinho de pelúcia e obriguei meus olhos a se fecharem e apenas sentia o vento batendo em meu rosto... Mas esse momento tratou de acabar segundos depois. Escurei um barulho vindo da rua.. foi quando olhei pra rua e vi Jack. Abismada perguntei:
-O que fazes ai cara??
-Ah, nada, só queria saber se você consegue ver sua décima estrela.
E um sorriso se pôs em meu rosto.

Dedicado à Ana Nayanne. s2

domingo, 2 de janeiro de 2011

Once in a dream...

Fevereiro de 1968. Era frio na Califórnia e pra variar meu humor não estava muito bom. Eu andava irritada com toda aquela agitação das pessoas, com aquelas preparações para o carnaval. Nossa, até se eu quisesse me matar pulando da janela seria impossível, porque as ruas estavam abarrotadas de pessoas e provavelmente elas me segurariam se eu chegasse lá, viva. Eu me chamo Anne Alison e tenho 23 anos. Sou fotógrafa e amo minha profissão. Fotografo modelos masculinos, femininos e até GLS. Eu jamais poderia imaginar algo do tipo acontecer comigo. Mas aconteceu. Eu me apaixonei por uma das minhas "modelos". Eu levava aquilo tudo muito a sério e prometi para mim mesma não me destrair.. eu precisava manter o foco no meu trabalho. Mas era impossível.. a minha própria câmera já amava demais aquela criatura. Marianne. É, "anne" também. Seu corpo era livre e saudável.. e isso me encantava. Seus olhos eram tão verdes quanto as esmeraldas do colar da rainha da Inglaterra. Sua disposição, suas posições pareciam irreais. Tudo feito com a maior concentração, mas ao mesmo tempo com a felicidade estampada em seu rosto. Ela tinha uma companheira de fotos, que sinceramente não me dava muita confiança. Não ligava. Só percebia a Marianne mesmo. Eu achava as vezes, até que ela posava "para mim". As pupilas de seus olhos se dilatavam ao sorrir em mim direção.. ela fazia um foco perfeito em minhas fotos. Fico até grata por isso. Além de melhorar a minha vida, melhorou o meu trabalho. Me deixa feliz e satisfeita. Eu poderia dizer a vocês que eu a amo, mas seria hipocrisia, porque amar é pouco, amor vem e passa. Digo que é paixão. Paixão daquelas que arde dentro da gente, paixão que nos deixa louco, sem ação. Paixão que vem e fica. Sentia que era correspondida. Ela mesma me parecia demonstrar isso. Até que um dia, passamos dos "olhares" e das demonstrações de interesse. Ela veio falar comigo depois do ensaio. Sua voz penetrou meu ouvido, escurecendo minha visão e abafando quaisquer barulho que não fosse o doce som de voz. Ela me disse que precisava do que eu também precisava. De paixão ao invés de amor. De um abraço ao invés de um beijo. De um caminho que a levasse a felicidade. De um ser que a deixasse completa. Ela parecia poder ler meu pensamento. Não discordei. Em questão de segundos, seus lábios tocaram os meus e meu mundo congelou. Eu não precisaria mais de nada. Se eu morresse ali, morreria feliz. Foi um beijo intenso, porém delicado e com paixão. Um beijo de duas mulheres que sentiam uma vibração. Foi o momento mais feliz da minha vida, creio. Nossos lábios se desencostaram e eu a procurei. Não vi mais nada. Ela tinha sumido. Sumido e levado metade de mim com ela. Eu precisei de um tempo para me convencer de que se aquilo foi real, eu precisava dela pra mim. Duas semanas depois, fui fazer a última parte do book dela e da sua parceira. Eu a vi, feliz. Perguntei-a o porque te der sumido, e até como ela tinha ido embora. E ela me disse: "Uma vez num sonho... Sonhei em te beijar, sonhei em te fazer feliz e ser feliz. Sonhei que tinham me contado que a só faltava a outra metade da laranja para eu estar completa, e então, resumidamente, sonhei com você, assim como você sonhou comigo". Formei em meu rosto, nesse momento, um sorriso que se estendia de um lado até o outro. Eu só podia estar mesmo sonhando. Pensei em o que lhe dizer, e rebati: "Uma vez num sonho... Sonhei que estava sonhando e você apareceu. Do nada, como sumiu. Sendo que dessa vez, era pra ficar. Ficar ao meu lado, como estamos agora". Ela me agradeceu pelas palavras e me mostrou uma folha de papel que dizia: "Uma vez num sonho, pra sempre na minha realidade". Abaixei a cabeça e rapidamente peguei uma caneta e corrigi: "Pra sempre na nossa realidade, pra sempre sua Alison".