Estou cansada, mas me acostumo. Não posso, mas me acostumo. Estou cansada de acordar cedo e ver que o sol ainda não se pôs, mas me acostumo. Estou cansada de beber água para matar a fome. Estou cansada de amar e não ser amada. Estou cansada de vestir minhas roupas e perceber que tudo que eu tenho, é demais e esse demais é demasiadamente exagerado. Estou cansada de ver gente nas ruas, não gente como a gente, mas gente que queria ser a gente, por termos o que temos. Estou cansada de escrever, ler e de comer. Estou cansada de ouvir as mesmas músicas, que por mais bonitas que sejam, me consolam. Estou cansada de ser consolada, não preciso que ninguém tenha pena de mim. Estou cansada de ajudar os outros e não ter uma recompensa; não que eu queira, mas seria questão de solidariedade.. também preciso de ajuda. Estou cansada de correr pra ir pra escola, e também estou cansada de ver pessoas correndo pra ir trabalhar.. um trabalho que elas não gostam. Estou cansada de ser a menina que não tem uma voz só. Estou cansada de me clonarem.. ser eu não tá mais valendo a pena. Estou cansada de roubarem meus sonhos, meus amigos e minha paciência. Estou cansada de ter que desabafar com o papel.. ele não me responde. Estou cansada de simplismente existir. Queria existir por algo, por alguém. Família não conta. Família é algo que não escolhemos. É aquilo OU/E aquilo. Estou cansada de ser a reserva, e de botar pessoas como reserva. Estou cansada de dizer sim, quando é pra dizer não, ou quando as pessoas esperam um não. Estou cansada de cantar, cantar, cantar e não ter um ritmo, ritmo que me leve à algum lugar, uma nova dimensão. Uma dimensão que talvez eu fosse mais feliz e que não estivesse tão cansada. Mas eu me acostumo. Me acostumo com a população destruindo a natureza, me acostumo com os altos e baixos de uma vida que parece não ter rumo. Me acostumo a desviar os horizontes. Me acostumo a ser invisível quando é necessário. Me acostumo a me acostumar a estar cansada.
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